terça-feira, 30 de agosto de 2011

Curso Técnico - Dramaturgia I

O texto, hoje, é apenas um elemento, assim como a música, o cenário, as artes plásticas; ou seja, faz a diferença, mas não é o mais importante, hoje. Antigamente, o texto era o elemento mais importante e era seguido à risca. Hoje, o texto já não é levado tão à risca podendo sofrer cortes ou até mesmo não existir.

O texto ganha mais força quando é representado.

O texto é o texto. Não há pré-encenação já inscrita no texto dramático, mesmo se o texto possa ser lido imaginando situações dramáticas na quais se desenrola a ação.

Você pode pegar qualquer peça e transformá-la numa comédia. Porém, você precisa saber os limites que essa "façanha" possui e conseguir passar a mensagem que a peça original tenta transmitir.

Alguns autores afirmam que o texto é secundário. O corpo fala por si só. E o texto pode surgir da improvisação.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Graduação - Modos de ver

Cada experiência de um olhar é um limite.

É preciso tentar existir através de si mesmo. Sem usar a palavra e a visão do outro.

Nós estamos efetivamente a repetir a ação das pessoas aprisionadas na "Caverna de Platão". Para José Saramago, este seria o mundo que vivemos hoje.

Manoel de Barros: "o que eu vejo não vem de fora, vem da minha imaginação, vem de dentro".

A visão da realidade depende de cada um de nós em momentos diferentes da nossa vida.

Se eu não me conheço, não conseguirei conhecer o outro. Sendo assim, se eu não consigo enxergar o meu íntimo - como realmente sou - eu não conseguirei enxergar o outro e conhecer o íntimo dele.

Às vezes, ver um pouco de menos pode te ajudar a ver mais.

A visão de mundo é construída também pelo imaginário coletivo e local. E nenhum imaginário é mais rico ou mais pobre que o outro.

Todos veem, mas poucos enxergam.

sábado, 27 de agosto de 2011

Graduação - Cenografia

Cenografia não pode ser confundida com decoração. Cenografia é um elemento de espetáculo (teatral, cinematográfico, etc) e decoração é sinônimo de arquitetura de interiores. A cenografia é efêmera e a arquitetura de interiores tem uma durabilidade maior.

A cenografia, o figurino, a luz e, de certa forma, o ator, são elementos visuais do espetáculo. A cenografia pode ser considerada uma composição em um espaço tridimensional - o lugar teatral. Utilizando-se de elementos básicos. Sendo uma composição, tem peso, tensões, equilíbrio ou desequilíbrio, movimento e contrastes.

Cenografia é ilusão, é imitação da realidade, é faz-de-conta, calcada numa sadia improvisação, na busca da materiais inusitados e num processo em que o lúdico e o artesanal têm grande peso.

Cenografia é uma arte, técnica e ciência de projetar e executar a instalação de cenários para espetáculos. Alguns autores confundem com um segmento da arquitetura. Entretanto, a arquitetura cênica ou arquitetura cenográfica ocupa-se mais especificamente da geração dos cenários arquitetônicos internos ou externos.

O preço do trabalho de um cenógrafo é incerto. Pois depende do resultado do seu trabalho para definir quanto deverá receber.

Cada espetáculo - teatro, cinema, ópera, balé, etc - é diferente, tem proposta e objetivos diferentes, possui uma linguagem específica.

A verdadeira cenografia é determinada pela presença do ator e de seu traje; a personagem que se movimenta na áreas que lhe são atribuídas constantemente.

Cenógrafo:

Pode atuar em montagens teatrais, montagem de exposições, oficina, arquitetura teatral. A formação do cenógrafo é variada. Ele pode vir das artes plásticas, da arquitetura ou pode até mesmo ser ator.

Iluminação:

A função iluminante intensifica os sinais pré-existentes nas, coisas, nos corpos, nas figuras. Estes quatro papeis da iluminação cênica - visibilidade, dimensão, seletividade e atmosfera, interferem nas condições de percepção dos elementos ou distanciá-los do espectador


A função seletiva da luz conduz o olhar do espectador somente para aquilo que deve ser visto, mergulhando o restante no escuro.

Os figurinistas, cenógrafos, maquiadores e iluminadores devem trabalhar juntos, pois eles podem melhorar ou piorar determinada cena.

  • Em cenografia nada pode ser gratuito;
  • Em cenografia nunca se contente com a primeira ideia;
  • Seja simples, porém, não simplista;
  • Procure a síntese;
  • O piso do palco também é cenografia.
Idade antiga:

O movimento dos atores trágicos, eram necessariamente lentos e seus gestos amplos. Devido a dimensão dos teatros, os atores eram escolhidos pela potência de sua vozes. Os bons atores eram tão procurados que logo começaram exigir salários e, quando o talento dramatúrgico se tornara escasso, a interpretação assumiu importância maior que o próprio drama.

A construção do teatro grego, totalmente aberto ao ar livre, assim como dos templos religiosos e estádios esportivos, aproveitava a encosta de colinas para que se garantisse o efeito acústico.

Alguns teatros cabiam cinco mil e quinhentas pessoas (delos) e outros, quatorze mil (epidauros).

No teatro grego empregavam-se vários maquinismos, encarregados de criar os "efeitos especiais".

Teatro Romano:

Apesar de ter sido totalmente baseado nos moldes gregos, o teatro romano criou sua próprias invocações, com a pantomima, em que apenas um ator representava todos os papeis, com a utilização de máscara para cada personagem interpretado, sendo o ator acompanhado por músicos e por coro.

Os romanos não encravavam os teatros na montanha como faziam os gregos. Formaram o teatro de Arena.

Os romanos inventaram o pande de boca.

Links:

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Graduação - Antropologia do Teatro

Curso Técnico

Dramaturgia I

-A continuidade linear da ação:
  • Elementos para imaginar como a ação prossegue quando a personagem não está em cena;
  • Ligação de presença;
  • Ligação de procura;
  • Ligação de ruído;
  • Ligação de tempo;
-A descontinuidade afirmada:
  • A ação salta de um lugar a outro;
  • Autonomia das partes;
  • Fragmento;
-Espaço e Tempo:
  • Modos diferentes de perceber o mundo;
  • Abstração;
  • Signo da estética do texto;
-Espaço:
  • O fora de cena;
  • Um dado interior das personagens;
  • O espaço metafórico;
  • Rede de sentido que não dizem respeito necessariamente ao espaço cênico;
  • Espaço cênico (área da atuação): lugar específico da teatralidade concreta;
  • Espaço dramático (da ficção): espelho das indicações textuais e de uma imagem codificada;
-Tempo:
  • Análise: concretude e poética do espaço/espaços reais e metafóricos;
  • Uma indicação precisa pode ocultar muitas outras;
  • Concepção do país depende da época e das mitologias coletivas ou pessoais.

Graduação - Aula do dia 24/08/11

Filosofia do teatro

Descobrir como a filosofia brota na artes (em nosso caso, no teatro).

Cada um possui a sua maneira de expressar o seu pensamento da realidade.
  1. Um filósofo expressa no raciocínio;
  2. Um dançarino, numa coreografia;
  3. Um teatrólogo, numa peça teatral (fala, sensibilidade, ação).
Não é só o filósofo que filosofa. E você não precisa expressar seus pensamentos filosóficos só com palavras. Você também pode se expressar através da dança, música, teatro, religião, etc.

Santo Agostinho também foi filósofo. Ele dizia que existe o presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro.

Na filosofia escrita, o mais importante é a reflexão/o raciocínio expresso; na filosofia mostrada/teatral a preocupação maior é o estético, depois com a reflexão que será causada no expectador.

Os dois modos são esclarecedores, porém, depende daquele que lê ou assistes.

Brecht e o teatro moderno fazem parte da filosofia dialética, ou seja, acredita que tudo é capaz de mudar de acordo com a realidade/social, que cria ideias novas.

As marcações/rubricas não são capazes de prender um ator, pois ele pode muito bem fazer uma cena marcada e ser um grande espetáculo, assim como fazer uma cena sem marcação e ter a mesma repercussão.

Você é livre para colocar a ideia que quiser, desde que justifique.

O teatro não é só drama. Ele também é filosofia, música, dança, pintura, etc.

Um devaneio surge de elementos de lugar(es) que você habita.

Um artista é um "fazedor de mundos", mas esse mundos são feitos a partir do mundo dele.

O pré-conceito impede que você veja o mundo através da pessoa que sofre o pré-conceito.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Curso técnico

Dramaturgia

O teatro de Brecht:
  • Ação dramática;
  • Narra, servindo-se da ação;
  • Ato e potência - movimento;
  • Conflito interior objetivado, conflito do personagem com o mundo;
  • Emoção e divertimento.
Por mais que Brecht vá contra as regras aristotélicas, suas obras possuem emoção, drama. Ele torna o personagem mais "humano", não querendo que o espectador identifique-se com o personagem, mas sim que o espectador pense ou indague sobre aquilo.

Brecht acreditava no teatro divertido e didático; concordava com Karl Marx quando este afirmava sobre a possibilidade de transformação da sociedade; aproveita-se das histórias passadas da peça para narrar de modo sutil; achava que o teatro servia para despertar, mas não abria mão da emoção em cena. Por tudo isso, pode-se dizer que o teatro brechtiano é um teatro épico.